sábado, 31 de janeiro de 2009



Evasão

Responde agora:
Ouviste o tumulto infernal
Que não te acordou do sono
Nem te despertou no final
Da cálida madrugada de outono?

Ouviste as palavras mais duras
Que foram ditas com endereço certo
A zombar das tuas ações mais puras
Abandonadas no teu árido deserto?

Ouviste quando te jogaram lama
Através de xingamentos indevidos
A ferir teu brio e desmerecer tua fama
Em uma sucessão de atos atrevidos?

Não. Tu não pudeste ouvir. Não quiseste ouvir...
Porque teu coração se fechou para não sofreres
Fechaste teu mundo que é só silêncio em ti
Para não te machucares tanto e infeliz viveres.

Agora, tira a máscara que te cobre o brio
Enfrenta o mundo e te atreles às cordas
Da paixão que guardas protegida do frio
Sentimento que te adormece o corpo
E para a qual não reportas...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009




AMIZADE

Amizade é flor que medra
No coração e na mente...
Se tecida com empatia
Segue seu curso docemente.

Amizade verdadeira
Não precisa ostentação
Basta um sorriso amigo
Para pisar nesse chão.

O sorriso do amigo
Não o deixe congelar...
Nos lábios de quem o ama
Amizade vai brotar.

Amizade é companhia
Constante, é querer bem
É sentir mesmo distante
O amor que o outro lhe tem.

Um sentimento sublime
Não se apaga com a distância
Permanece sempre forte
É vital a sua lembrança.

Esta poesia está na Antologia Coração de poeta, do Projeto 48 horas do escritor e jornalista Marcelo Puglia.

domingo, 11 de janeiro de 2009


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Teus abraços

Não mandes teus abraços
Frios, soltos, secos, virtuais
Manda-os em pequenos laços
No sopro das brisas matinais...

Sopra-os com o calor
Do teu hálito morno
E enlaça-os com os laços
Cor-de-rosa da aurora
Que te darei retorno...

E aí eu me enlaço
Nesse doce envolvimento
E, em transe, me (des) enlaço
Na poesia desse encantamento.

domingo, 4 de janeiro de 2009

AnjoTutelar



Soneto

Anjo Tutelar

Orienta minha vida e me conduz
Cuida dos meus desejos sem cessar
És amigo, és Anjo Tutelar
Que me aponta a verdade, o amor e a luz.

Nas horas de abandono e solidão
Em que a necessidade de ternura
Faz surgir no coração a amargura
Tua presença é sinal de redenção.

Quando na noite ouve-se um lamento
E lá fora é só medo e escuridão
Clamo por ti, arquétipo do amor

E tu cavalgas no sopro do vento
Trazes à noite o calor do coração
E aqueces minh’alma fria de dor.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008


Escrevendo um sonho.



Em Dezembro, olhando o horizonte,

Fixando o firmamento, oculto e misterioso,

Mas para mim contemplado, como aconchego,

Escrevi na cauda de uma estrelas,

Um novo desejo, uma nova fé,

Pedindo ao pequenino ponto de luz,

Para levar para longe as minhas agonias,



Navegando nos braços do devaneio,

Escrevendo partes do meu sonho,

Rabisquei nas penas de uma ave, as minhas,

Suplicando que as leve para bem longe,

E as entregue aos braços da remissão,

Voltando de lá com um caminho renovado.



Rememorando os dias percorridos,

A esgravatar caminhos de futuro,

Escrevi nas areias de uma praia deserta,

Mensagens de um futuro desejado,

Orando as ondas que levem meus escritos,

Até ao mar do profundo conhecimento.



Então o passar do trem, despertou meu corpo sonhado,

Na velha estação, onde meus passos calcavam,

As pedras já tantas vezes pisadas,

Ensopadas por prantos sofridos,

E por vezes de risos prenhes de felicidade,

Paridos em mim como esperanças de futuro.




Eduardo Jorge, em 29 de Dezembro de 2008




Feliz ano novo


eduardojorge@msn.com

terça-feira, 23 de dezembro de 2008




Já é Natal!

O Natal se aproxima!
Há uma doce melodia no ar...
As pessoas parecem agora mais ternas e amorosas!
Por que durante o ano, brigam entre si, odeiam-se, caluniam-se?
É a corrida atrás dos bens materiais, corrida desenfreada
Que os deixa cada vez mais secos, duros e insensíveis!
Oh! Corações de pedra! Oh! Detentores de Poder!
Revolvam seus pensamentos e busquem dentro de si
Sentimentos que constroem, sonhos que humanizam!
E deixem que os bons fluidos escorram de todo o seu corpo
E cheguem até os irmãos necessitados, em suave melodia!
Meditem sobre o significado da Vida! Em todo o tempo!
Não só quando chega o Natal, o Dia de Natal!
Época em que se enviam cartões
Que se promovem confraternizações
Realizam-se festas e trocam-se presentes
Entrelaçados por abraços de felicitação
Nem sempre fraternos, nem sempre sinceros...
Esquecem-se da razão principal desses acontecimentos!
Mas a Noite de Natal transcorre serena...
Envolvida em sopros de paz, em cânticos de alegria...
Jesus nasceu! O Salvador do mundo!
É Ele o motivo maior dos nossos encontros, das nossas reuniões...
Ao Aniversariante devem ser dadas as honras da casa....
Nele, e somente Nele está a razão de festejarmos o Natal!
Mas isso acontece somente nos lares em que o sentido
E a mensagem trazida há mais de dois mil anos foi absorvida
Vivida com solidariedade e amor!
Feliz Natal!

Natal do consumismo
O que se vê nos dias que antecedem o Natal?
Vê-se o Natal do consumismo, que movimenta as ruas
que enche as lojas, que embeleza as vitrinas...
que põe nos ares os muitos sons que confundem as pessoas
no corre-corre das compras...
Vê-se o Natal da mesa farta, dos presentes caros e, às vezes
acompanhados da escassez do amor, da ternura, do afeto.
Natal! Sentimento maior que ainda encontra ressonância
em muitos lares cristãos, onde se rezam novenas, armam-se
árvores e presépios e o Menino Jesus é colocado em lugar de
destaque, como o aniversariante!
Reflexivamente, as perguntas:
O que representa o Natal para você, caro leitor?
Essa festa da cristandade é vivenciada com sentimento de fé cristã?
E a Ceia do Natal? É apenas momento de festa entre familiares?
Já pensou, na noite colorida de Natal, nas famílias que nada têm para comer?
E nas crianças que, com os olhos perdidos no vazio, sonham com Papai Noel?
Deixem que o amor ao próximo invada seu coração
E que as estrelinhas desse amor salpiquem o chão
De todos os nossos irmãos!
Noite de Natal! Noite de Paz! Noite de Amor!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

देसेजो primeiro




Desejo primeiro

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga `Isso é meu`,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.
Vítor Hugo