domingo, 4 de janeiro de 2009

AnjoTutelar



Soneto

Anjo Tutelar

Orienta minha vida e me conduz
Cuida dos meus desejos sem cessar
És amigo, és Anjo Tutelar
Que me aponta a verdade, o amor e a luz.

Nas horas de abandono e solidão
Em que a necessidade de ternura
Faz surgir no coração a amargura
Tua presença é sinal de redenção.

Quando na noite ouve-se um lamento
E lá fora é só medo e escuridão
Clamo por ti, arquétipo do amor

E tu cavalgas no sopro do vento
Trazes à noite o calor do coração
E aqueces minh’alma fria de dor.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008


Escrevendo um sonho.



Em Dezembro, olhando o horizonte,

Fixando o firmamento, oculto e misterioso,

Mas para mim contemplado, como aconchego,

Escrevi na cauda de uma estrelas,

Um novo desejo, uma nova fé,

Pedindo ao pequenino ponto de luz,

Para levar para longe as minhas agonias,



Navegando nos braços do devaneio,

Escrevendo partes do meu sonho,

Rabisquei nas penas de uma ave, as minhas,

Suplicando que as leve para bem longe,

E as entregue aos braços da remissão,

Voltando de lá com um caminho renovado.



Rememorando os dias percorridos,

A esgravatar caminhos de futuro,

Escrevi nas areias de uma praia deserta,

Mensagens de um futuro desejado,

Orando as ondas que levem meus escritos,

Até ao mar do profundo conhecimento.



Então o passar do trem, despertou meu corpo sonhado,

Na velha estação, onde meus passos calcavam,

As pedras já tantas vezes pisadas,

Ensopadas por prantos sofridos,

E por vezes de risos prenhes de felicidade,

Paridos em mim como esperanças de futuro.




Eduardo Jorge, em 29 de Dezembro de 2008




Feliz ano novo


eduardojorge@msn.com

terça-feira, 23 de dezembro de 2008




Já é Natal!

O Natal se aproxima!
Há uma doce melodia no ar...
As pessoas parecem agora mais ternas e amorosas!
Por que durante o ano, brigam entre si, odeiam-se, caluniam-se?
É a corrida atrás dos bens materiais, corrida desenfreada
Que os deixa cada vez mais secos, duros e insensíveis!
Oh! Corações de pedra! Oh! Detentores de Poder!
Revolvam seus pensamentos e busquem dentro de si
Sentimentos que constroem, sonhos que humanizam!
E deixem que os bons fluidos escorram de todo o seu corpo
E cheguem até os irmãos necessitados, em suave melodia!
Meditem sobre o significado da Vida! Em todo o tempo!
Não só quando chega o Natal, o Dia de Natal!
Época em que se enviam cartões
Que se promovem confraternizações
Realizam-se festas e trocam-se presentes
Entrelaçados por abraços de felicitação
Nem sempre fraternos, nem sempre sinceros...
Esquecem-se da razão principal desses acontecimentos!
Mas a Noite de Natal transcorre serena...
Envolvida em sopros de paz, em cânticos de alegria...
Jesus nasceu! O Salvador do mundo!
É Ele o motivo maior dos nossos encontros, das nossas reuniões...
Ao Aniversariante devem ser dadas as honras da casa....
Nele, e somente Nele está a razão de festejarmos o Natal!
Mas isso acontece somente nos lares em que o sentido
E a mensagem trazida há mais de dois mil anos foi absorvida
Vivida com solidariedade e amor!
Feliz Natal!

Natal do consumismo
O que se vê nos dias que antecedem o Natal?
Vê-se o Natal do consumismo, que movimenta as ruas
que enche as lojas, que embeleza as vitrinas...
que põe nos ares os muitos sons que confundem as pessoas
no corre-corre das compras...
Vê-se o Natal da mesa farta, dos presentes caros e, às vezes
acompanhados da escassez do amor, da ternura, do afeto.
Natal! Sentimento maior que ainda encontra ressonância
em muitos lares cristãos, onde se rezam novenas, armam-se
árvores e presépios e o Menino Jesus é colocado em lugar de
destaque, como o aniversariante!
Reflexivamente, as perguntas:
O que representa o Natal para você, caro leitor?
Essa festa da cristandade é vivenciada com sentimento de fé cristã?
E a Ceia do Natal? É apenas momento de festa entre familiares?
Já pensou, na noite colorida de Natal, nas famílias que nada têm para comer?
E nas crianças que, com os olhos perdidos no vazio, sonham com Papai Noel?
Deixem que o amor ao próximo invada seu coração
E que as estrelinhas desse amor salpiquem o chão
De todos os nossos irmãos!
Noite de Natal! Noite de Paz! Noite de Amor!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

देसेजो primeiro




Desejo primeiro

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga `Isso é meu`,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.
Vítor Hugo

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Na janela





Na janela – Um Conto de Natal

Isabela dormiu... Dormiu serena e feliz, não antes de verificar se a pequena janela do seu quarto que dava para o quintal, estava aberta. Sim, deixou-a aberta e colocou ali seu sapatinho, conforme as histórias que lhe contavam os pais. Papai Noel viria naquela noite fria e deixaria sua tão sonhada boneca que cantava e dormia...
Mas a ansiedade que lhe tomava o pequeno coração, não a deixou dormir até o amanhecer... Despertou muito cedo ainda! Levantou-se pé ante pé e dirigiu-se à janela para ver se Papai Noel havia deixado lá seu presente de Natal, o objeto da sua alegria. Olhou com os olhos bem abertos e viu que nada havia ali... Uma lágrima rolou pelas faces alvas e macias como flocos de algodão. Não, o bom velhinho que visita todas as crianças não a visitara. Ele viria depois? Quem sabe deixara para passar pela sua casa mais tarde?
Tudo estava calmo e silencioso. Todos dormiam... Isabela chegou mais perto da janelinha do seu quarto e passou a olhar o céu. No alto, bem no alto do céu infinito, Isabela via as estrelas piscarem para ela. A lua redonda, redonda, ia alta naquela noite, passeando entre as nuvens... E a criança deixou-se envolver pelo belo espetáculo daquela criação divina! Debruçou-se na janela e o sono veio pesado, carregando-a para um mundo de beleza e magia! Visitou A Casa dos Brinquedos e ficou embevecida com todos aqueles brinquedos maravilhosos!... Adiante, viu a boneca dos seus sonhos. Correu até lá. Abraçou-a, beijou-a e cantou com ela uma doce e suave melodia... Tudo era tão lindo! As luzes que não se apagavam nunca, os anjinhos que tocavam flautas e traziam-lhe ternos sorrisos...
Era madrugada. As últimas estrelas já se apagavam e a lua já se escondera quase desmaiada, para dar lugar ao sol que despontava no horizonte, esbraseando montes e campinas. Isabela ainda dormia... Dormia e não mais sonhava... Não mais sonhava porque vivia... Vivia num mundo onde não existem pobres e ricos; as crianças são todas iguais e todas amadas pelo mesmo Pai. Isabela dormia... Dormia e cantava... Cantava e sorria...
Sua mãe, em pleno silêncio da manhã, estranhou o silêncio de Isabela! Adentrou seu quarto às sete horas e encontrara a filha, dormindo, debruçada na janela. A temperatura durante a noite e a madrugada caíra muito... Isabela estava gelada... Sem vida! O frio que vinha de fora enregelou seu débil corpinho, mas aqueceu seu coração que sorria. Lá, muito além da lua e das estrelas, Isabela cantava com os anjinhos uma doce se suave canção de Natal:
“Bate o sino pequenino
Sino de Belém
Já nasceu o Deus Menino
Para o nosso bem!”

sábado, 6 de dezembro de 2008



ACRÓSTICO DE NATAL

A leluia! Aleluia! Paz e Amor!
D eus Menino veio ao mundo
V azio de honraria e de temor...
E nviado para um fim profundo
N ão temeu os ricos e poderosos
T rabalhou na messe do Senhor
O fendido pelos grandes, não os odiou.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008



DUETO
CARNAVAL

Além do céu
Além da vida
Além da morte
Além da tristeza estou eu...
É Carnaval
Uns choram
Outros riem e me vejo a perguntar
O que será da humanidade se tudo isso acabar...
O dia passa...
O sol se esconde
O véu da morte já vai chegar
Assim...
Minha alma neste recanto de amor e luz
Aconchegada neste sofá
Fica distante a meditar
Se os passarinhos nesta alegria faz a orquestra se ouvir cantar
Porque minha alma em solidão
Não faz a luz na escuridão?
O Sol se esconde
Trazendo a chuva
Que alegria na natureza que está em festa...
É Carnaval.
Noêmia Nessin Brito
Publicado no Recanto das Letras em 06/07/2008
Código do texto: T1068111


NOUTRO OLHAR...

De olhos fechados
Vemos com a alma
Ver com a alma
É o “ver” mais ver-da-deiro que se pode ter
É um ver vivo
Um ver-de-vida que a vida tem em seu ser
De olhos fechados
Vemos sem trauma
E é com esse “ver”
Que você via uma alma que gemia
Sem agonia...
Mas que faz renascer
A minha alma gêmea
Numa outra folia

Júlio Nessin
Publicado no Recanto das Letras em 10/07/2008
Código do texto: T1074478