sexta-feira, 19 de setembro de 2008




Espelho e as duas faces


Com um gesto bem natural
Viu-se diante do espelho...
E, nessa hora, revolveu seus dias
No emaranhado dos cabelos
Cujos fios já lhe diziam a verdade
Sobre o tempo que tão célere corria.

Face a face estiveram a ver assim:
Seu físico - a imagem que o espelho refletia
E o que havia de mais escondido de si mesma...
Então, se surpreendeu estarrecida
Com a moldura do seu rosto quase apagada
Sem graça, aparência envelhecida.

Envelhecida como as fotos em preto e branco
Guardadas como relíquias... amarelecidas
Num álbum de família; assim era sua face...
Em vez de um sorriso jovial, franco e aberto
Viu no rosto, outrora jovem e sem disfarce
Um sorriso trêmulo, triste e incerto.

Mas o espelho não revelava nesse instante
O viço e o frescor que trazia dentro do peito
Fruto de dias envolvidos de ternura e amores...
O que existia dentro de si meio hesitante
Só se refletia no espelho de sua alma
Onde guardava segredos e fantasias multicores.

O que o espelho do seu quarto revelava
Era outra identidade do seu interior
Eram sinais tão visíveis e tão fortes...
Que esse espelho não podia esconder
Era o reflexo exterior da face: outro parecer
Que nada falava do seu mais recôndito ser.

O que não pôde ver nesse passeio
Através da imagem que o espelho refletia
Foi o que de melhor a vida lhe dera:
Condição para viver, sonhar como queria
E a capacidade de ser melhor, amar melhor
E de se preparar para a grande travessia.

terça-feira, 16 de setembro de 2008




A onda


Como um vestido de noiva radiante
Desfila pela nave no arrebol...
E sobe os degraus, bela e espumante
E desmancha-se em cada pôr-do-sol.

As angústias desse imenso mundo
Imerge-as com os tristes desenganos...
No abismo sombrio e profundo
Das águas escuras do oceano.

Os corpos que colhem a luz que flui
Mergulham no sal de águas azuis...
Enquanto no incessante marulhar

A onda na areia derruba sonhos
E fecha portas com olhar tristonho
É noite... É silêncio – volta ao mar!

Oração de Agradecimento







Oração de Agradecimento

Senhor, hoje quero Te agradecer...
Agradecer pelo canto dos pássaros
Que alegram a natureza...
Agradecer pela noite que traz as estrelas
Que piscam no firmamento...
E que chamam a lua para enfeitar a terra
E derramar seu clarão nos corações em trevas...
Agradecer pelo sol que brilha, após a aurora
E esparge seus raios nos campos e cidades
Para trazer calor e luz à vida...
Agradecer pela manhã
Que traz renovação ao espírito e à alma...
Agradecer pelo mar imenso, rios e cascatas
Fontes de energia, lazer e purificação
Que embelezam a natureza
E alimentam os homens e os animais...
Agradecer pelas árvores que purificam o ar
E oferecem alimento e abrigo a todo ser vivo...
Quero, ainda, agradecer-Te, Senhor, pela inteligência
Que permite ao homem pensar, criar, executar, amar e sonhar!
Por tudo isso, obrigada, Meu Deus!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Vida Marinha


Soneto

Vida marinha

Em tépidas águas tropicais
A vida desponta em abundância
De cores e formas colossais
Mostram sua riqueza e exuberância.

Graciosos peixes em harmonia
Vivem em segredos nesse cenário
E ostentam beleza e magia
Ao flutuar nesse imenso aquário.

O homem ao ver tão belo espetáculo
Queda-se em silêncio e reflexão
E dirige ao céu uma oração.

Segue a orientação dos oráculos
E ante esse silêncio eloqüente
Estremece com o que vê, silente.

domingo, 7 de setembro de 2008


Estação 1

Pássaros em bando
Natureza em festa
Primavera.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Vem...






Vem!...

Vem!...
A última estrela já se apagou
É tarde... preciso te falar. Vem...
Há em cada pensamento escondido
Uma imagem partida... de alguém.

Vem!...
A lua já não tem seu brilho intenso
Sua magia perdeu-se na ilusão
Que fascinava o meu corpo tenso
Sua luz era sonho na solidão.

Vem!...
É tempo de reavaliar o que ficou
Sentimentos mutilados, sem brilho
Como a lua que, ao chegar radiante do sol
Esmaece sem graça no infinito.

Vem!...
Eu cá estou. No céu, a luz do sol
Para curar as cicatrizes feitas
Depois do abandono...
Por que esperar um novo arrebol?

Vem!...
Transforma tua inconstância
Em presença sempre aceita
Agora é a hora certa
Para enclausurar ilusões desfeitas.

Vem!...

segunda-feira, 1 de setembro de 2008